Turismo, Problema ou Oportunidade?

Portugal é, presentemente um destino preferencial do Turismo.
Todos já nos confrontamos com a cidade de Lisboa cheia de estrangeiros que conferem à capital um toque cosmopolita e dinamizam a economia. Mas também já começamos a sentir efeitos menos agradáveis. Foi para refletir sobre este assunto que os alunos de Ciência Política de 12º ano prepararam e fizeram mais um debate em sala de aula.

Argumentos que sustentam o crescimento do Turismo:
• O turismo é o segundo motor mais potente da economia portuguesa (em 2017) ;
• As receitas do turismo cresceram duas vezes mais depressa que o número de turistas a visitar Portugal;
• Até novembro (2017), os estrangeiros trouxeram 3,2 mil milhões de euros para Portugal, um aumento de cerca de 17% em relação ao período homólogo do ano anterior.
“O que o turismo está a fazer é uma verdadeira transformação do ponto de vista das condições económicas, de emprego, de investimento, de inovação, de visibilidade externa da cidade e de motor de desenvolvimento e de dinâmica como há muito não se via”, Fernando Medina

Argumentos que defendem a limitação do crescimento do turismo:
• Quem fica com a maioria dos proveitos do crescimento do turismo são as empresas internacionais que gerem as cadeias de hotéis, restaurantes ou lojas e as entidades locais que têm de gerir os recursos naturais e impactos culturais têm menores lucros.
• As rendas dispararam muito por causa dos arrendamentos locais (ex: Airbnb, HomeAway).
A circulação em certas áreas é impossível e os preços também. A Lisboa e o Porto de que os turistas tanto gostam vão desaparecendo a cada dia pois vão-se descaracterizando.
• Assistimos hoje a uma perda de identidade cultural em Lisboa, os bairros estão a mudar de residentes, o comércio de bairro está a acabar e a cidade está cada vez mais “lotada”.

Exemplos:
• Os representantes municipais de oito capitais e cidades europeias decidiram escrever à Comissão Europeia um protesto contra as regras aplicáveis à plataforma de arrendamento Airbnb. Os municípios das cidades de Barcelona, Madrid, Bruxelas, Paris, Cracóvia, Viena, Reiquejavique e Amesterdão subscrevem a carta, sentindo que as enchentes de turistas estão a tornar-se incontroláveis;

Conclusões do debate:

• Temos sempre que ter em conta que o turismo tem um forte impacto nas receitas portuguesas.
• São precisos instrumentos que acautelem as consequências do excesso de turismo: desde medidas fiscais a favor da habitação permanente até limitações à construção de mais hotéis no centro e imposição de limites ao alojamento local. As hipóteses são múltiplas (limite ao número de cruzeiros que atracam nos portos de uma cidade, ou ao número de autocarros, voos diários ou quartos de hotel disponíveis).
• É necessário que o debate se faça, e não se transforme a política de turismo num tabu que ninguém questiona porque prefere colher os lucros de hoje a ter que pensar o amanhã.
“A cidade pode ter turistas, mas os turistas não devem ter a cidade”—Doug Lansky;
• É necessária regulamentação quer a nível dos transportes turísticos (no caso TukTuk) quer a nível dos arrendamentos locais (Airbnb, HomeAway) visando manter as características locais.

• Em Barcelona ou Berlim estão a tentar reverter as consequências do turismo de massas, limitando, por exemplo, o alojamento local;
• Dois mil cidadãos de Veneza marcharam este mês contra o excesso de turismo que está a expulsá-los da sua cidade.

Filipe Ponte 12ºD


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